Divagando sobre o recente episódio
dos rolezinhos nos shoppings paulistanos e lendo diferentes pontos de vista
sobre o assunto, comecei a pensar que os rolezinhos refletem muito mais do que a cultura
da exclusão e do preconceito. Eles refletem a mediocridade cultural da
sociedade brasileira. De um lado, educa-se as pessoas para a exclusão dos semelhantes
“inferiores” e para o poder do consumo como “diferenciador social”. De outro, incentiva-se o consumo excessivo e a ostentação, mesmo que você não tenha dinheiro,
mesmo que sua família more na favela, mesmo que seus pais tenham que se sacrificar noite e dia, trabalhando e fazendo uns extras, pra que você esteja aceitável e desejável nos rolês com os "parça" e com as "mina". Sem criticar ou defender qualquer bandeira, acho que isso está de certa forma ligado
ao momento da economia brasileira e à forma com que essa aceleração foi tratada de
maneira geral. Todos agora podem consumir, ter roupas caras, tevês fininhas e
espertas, carros populares, parcelar em infinitas vezes no boleto ou no cartão. Os
jovens da favela que poderiam estar buscando novas oportunidades nesse novo cenário, pensando em seus estudos e em formas de ter
condições de vida melhores que as atuais e que a de seus pais, estão gastando o pouco que tem
- e até o que não tem - em roupas, tênis e bonés de grandes marcas do mundo fashion. Se não for importado, tá out! É claro que não podemos generalizar. Muitos
jovens da mesma favela, e das mesmas famílias desses jovens rolezeiros devem
estar nesse momento tentando uma vaga em algum processo seletivo nas universidades do
Brasil, já que, com as ações afirmativas e outras ações de democratização do
estudo universitário, as oportunidades aumentaram e nem todos querem viver
eternamente de rolezinhos e bailes funk “ostentação”. Bom, mas a verdade é que
o Brasil deveria ver nesse episódio atual a doença da nossa sociedade, supervalorizando
padrões de consumo e de imagem, fazendo com que as pessoas busquem mostrar um
status social, como se isso fosse o mais importante, em detrimento de outros
valores, mais duradouros, que durem pelo menos até a próxima estação. Sem
querer ser moralista, mas, onde estão os valores da nossa sociedade? No
consumo? Em transmitir uma imagem dentro dos padrões globais? No corpo perfeito, no
look do momento? Acho que a resposta está clara nos rolezinhos, nas novelas, no
“grande irmão” que insiste em chegar a sua décima quarta edição, exibindo e
exaltando a mediocridade cultural em que nosso país se encontra.
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