I
Símbolos.
Olhos, expressões, olhares, roupas, estampas, etiquetas,
sapatos, óculos, brincos, colares, botões, pele, anéis, crachás, gestos,
celulares, bolsas, unhas, cores, relógios, cabelo, penteado, despenteado, voz,
riso, repressão, esperteza, inocência, andar, postura, bicicletas, carros,
cuidado, descuido, atenção, chaves, batom, livros, máquinas, desatenção, sons,
movimentos, gritos, sirenes, buzinas...
Somos um amontoado de incontáveis símbolos que contam um
pouco da nossa história, do que somos, do que pensamos ser, do que pretendemos
ser.
II
Ser muito bom em uma coisa ou ser mais ou menos bom em um
monte de coisas? Acho que a primeira opção é mais difícil e a segunda mais
divertida.
Eu me explico.
Ser um especialista em uma coisa leva tempo, dá trabalho, pode
ser sofrido e desgastante. Mas também pode ser muito gratificante.
Principalmente a longo prazo e principalmente se essa coisa te dá prazer. E
provavelmente você será reconhecido por isso.
Por outro lado, ser medianamente bom em várias coisas é mais
leve, e traz satisfação pessoal de forma mais imediata, a curto prazo. Pode ser
divertido e nada monótono. É bem provável que você não se destacará por ser
assim. Mas quem precisa mesmo de destaque?
Ser ? Ou ser?
III
Sobre toda e qualquer
forma de arte
Eu gosto de arte.
Não só pela beleza, pelas formas, pelas cores, tamanhos,
sons, texturas. Por isso também. Mas é mais que isso. Gosto de arte porque ela
é uma maneira de estimular a criatividade humana, a níveis tão profundos quanto
ilimitados. Ela nos ensina a ir além do óbvio. A dar novas utilidades (ou
nenhuma utilidade, no sentido usual da palavra) a coisas comuns, nas quais
tropeçamos todos os dias. Aliás, acho que a arte nem sempre deve ter utilidade,
pra nos lembrar que ela transcende o sentido de útil. Ela nos ensina a olhar
para o comum com outros olhos, os olhos de dentro. Ela nos ensina também a
olhar pra dentro, a partir de algo que está fora.
Arte
faz bem.
Eleva.
Alivia o peso da vida. Trata de temas carregados de forma
leve. Nos leva a diferentes lugares, sentimentos, épocas, pessoas, países,
culturas.
Eu gosto de arte.
Gosto de admirar arte. De tentar fazer arte. De sentir arte.
Respirar cores. Cheirar texturas. Tocar aromas. Ver sons. Ir além. Não fazer
sentido. Gosto de viajar sem sair do lugar. Gosto também de sair do lugar pra
sentir a arte dos diferentes ares e paisagens. Gosto da arte despretensiosa da
natureza e da natureza modificada pelo homem, pretensiosamente. Ou não. Ah, a
excêntrica alma do artista! Quem é o artista? Um dia me disseram que eu tinha
alma de artista. Até hoje não sei bem o que isso quer dizer. Talvez eu tenha,
talvez todos nós tenhamos, em algum lugar.
Gosto da ideia do inacabado, do movimento, da transformação.
Da liberdade que talvez só algo como a arte seja capaz de dar.