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terça-feira, 25 de março de 2014

Devaneios incompletos de uma semana com muitas filas, senhas, semáforos e salas de espera



I
Símbolos.
Olhos, expressões, olhares, roupas, estampas, etiquetas, sapatos, óculos, brincos, colares, botões, pele, anéis, crachás, gestos, celulares, bolsas, unhas, cores, relógios, cabelo, penteado, despenteado, voz, riso, repressão, esperteza, inocência, andar, postura, bicicletas, carros, cuidado, descuido, atenção, chaves, batom, livros, máquinas, desatenção, sons, movimentos, gritos, sirenes, buzinas...
Somos um amontoado de incontáveis símbolos que contam um pouco da nossa história, do que somos, do que pensamos ser, do que pretendemos ser.

II
Ser muito bom em uma coisa ou ser mais ou menos bom em um monte de coisas? Acho que a primeira opção é mais difícil e a segunda mais divertida.
Eu me explico.
Ser um especialista em uma coisa leva tempo, dá trabalho, pode ser sofrido e desgastante. Mas também pode ser muito gratificante. Principalmente a longo prazo e principalmente se essa coisa te dá prazer. E provavelmente você será reconhecido por isso.
Por outro lado, ser medianamente bom em várias coisas é mais leve, e traz satisfação pessoal de forma mais imediata, a curto prazo. Pode ser divertido e nada monótono. É bem provável que você não se destacará por ser assim. Mas quem precisa mesmo de destaque?
Ser ? Ou ser?

III
Sobre toda e qualquer forma de arte
Eu gosto de arte.
Não só pela beleza, pelas formas, pelas cores, tamanhos, sons, texturas. Por isso também. Mas é mais que isso. Gosto de arte porque ela é uma maneira de estimular a criatividade humana, a níveis tão profundos quanto ilimitados. Ela nos ensina a ir além do óbvio. A dar novas utilidades (ou nenhuma utilidade, no sentido usual da palavra) a coisas comuns, nas quais tropeçamos todos os dias. Aliás, acho que a arte nem sempre deve ter utilidade, pra nos lembrar que ela transcende o sentido de útil. Ela nos ensina a olhar para o comum com outros olhos, os olhos de dentro. Ela nos ensina também a olhar pra dentro, a partir de algo que está fora.
Arte
faz bem.
Eleva.
Alivia o peso da vida. Trata de temas carregados de forma leve. Nos leva a diferentes lugares, sentimentos, épocas, pessoas, países, culturas.
Eu gosto de arte.
Gosto de admirar arte. De tentar fazer arte. De sentir arte. Respirar cores. Cheirar texturas. Tocar aromas. Ver sons. Ir além. Não fazer sentido. Gosto de viajar sem sair do lugar. Gosto também de sair do lugar pra sentir a arte dos diferentes ares e paisagens. Gosto da arte despretensiosa da natureza e da natureza modificada pelo homem, pretensiosamente. Ou não. Ah, a excêntrica alma do artista! Quem é o artista? Um dia me disseram que eu tinha alma de artista. Até hoje não sei bem o que isso quer dizer. Talvez eu tenha, talvez todos nós tenhamos, em algum lugar.
Gosto da ideia do inacabado, do movimento, da transformação. Da liberdade que talvez só algo como a arte seja capaz de dar.         

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